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Trabalho sugerindo que é melhor para a saúde cardiovascular realizar apenas musculação do que realizar apenas exercícios aeróbicos – revisão de literatura assegurando a segurança para pessoas hipertensas.

Enrique G. Artero, PHD, Duck-chul Lee, PHD, Jonatan R. Ruiz, PHD, Xuemei Sui, MD, Francisco B. Ortega, PHD, Timothy S. Church, MD, PHD, Carl J. Lavie, MD, Manuel J. Castillo, MD, PHD, Steven N. Blair, PED; 2011

Journal of the American College of Cardiology Vol. 57, No. 18, 2011 – © 2011 by the American College of Cardiology
Foundation ISSN 0735-1097/$36.00 – Published by Elsevier Inc. doi:10.1016/j.jacc.2010.12.025

Comentários: Dr. José Maria Santarem

Os autores iniciam o trabalho comentando que cerca de 8 milhões de mortes anuais do mundo são devidas à hipertensão arterial sistêmica (HAS), definida como Pressão Arterial Sistólica maior ou igual 140 e Pressão Arterial Diastólica maior ou igual 90 mmHg. O aumento da prevalência da obesidade tem sido apontado como um fator negativo que se contrapõe ao diagnóstico mais freqüente e ao tratamento otimizado.

A aptidão cardiorespiratória (ACR) é reconhecida como indicativo de menor risco de morte em muitas situações de doença, incluindo a HAS. A força muscular é um fator cada vez mais reconhecido para a mesma finalidade e que atua de forma independente da ACR. Os autores comentam que cada vez mais instituições de prestígio recomendam o treinamento resistido (TR) para promoção de saúde e de aptidão. Revisões por meta-análise documentam que o TR pode produzir reduções em repouso de aproximadamente 3,0 mmHg na pressão arterial sistólica e de cerca de 3,5 mmHg na pressão arterial diastólica, sendo os efeitos mais acentuados em pessoas hipertensas. Assim sendo, o TR passou a ser uma indicação para auxiliar no tratamento da HAS e não apenas uma atividade tolerada, nunca contra-indicada.

Muitos estudos estabeleceram uma correlação direta entre a força muscular e a menor ocorrência de mortes por todas as causas, mas não existiam estudos especificando a população de pessoas com HAS.

Entre 1.980 e 2.003, 1.506 homens com idade igual ou superior a 40 anos e com PA maior ou igual 140/90 mmHg foram avaliados periodicamente em parâmetros clínicos e laboratoriais, incluindo um teste de força com 1 RM (uma repetição com carga máxima) no press peitoral e no leg press, e um teste ergométrico máximo para ACR.

Os participantes foram divididos em seis categorias de acordo com o grau de força muscular combinado com o grau de ACR:

1) Força baixa e ACR baixa (considerado o grupo de referência)
2) Força média e ACR baixa
3) Força alta e ACR baixa
4) Força baixa e ACR alta
5) Força média e ACR alta
6) Força alta e ACR alta

Os participantes foram orientados para adotar um estilo de vida saudável, o que incluía bons hábitos alimentares e exercícios regularmente. Não foram considerados os tipos de exercícios realizados e suas características.

No período de observação ocorreram 183 mortes e foram realizadas as análises estatísticas pertinentes. Uma importante conclusão do presente trabalho é que a força muscular é um importante indicativo para a proteção contra mortes por todas as causas em homens hipertensos, independente da ACR, tal como outros trabalhos mostraram para outras populações:

1) Pessoas com força muscular alta e ACR alta apresentaram risco de morte 51%
menor quando comparadas com o grupo de referência.
2) Pessoas com força muscular alta e ACR baixa apresentaram risco de morte 48%
menor quando comparadas ao grupo de referência.
3) Pessoas com ACR alta e força muscular baixa apresentam risco de morte 37%
menor quando comparadas ao grupo de referência.

Esta conclusão é uma evidência a favor da hipótese de que os exercícios que aumentam a força muscular (os mais praticados são os exercícios resistidos) estimulam fatores promotores de saúde geral, incluindo a saúde cardiovascular, de forma mais eficiente do que os exercícios contínuos utilizados para melhorar a ACR. O mecanismo de ação mais provável é a atenuação mais eficiente do processo inflamatório basal do organismo sedentário.

Referências bibliográficas, tabelas e gráficos encontram-se no artigo original.